Territórios Culturais

TCP – Território Cultural Cabula / Tancredo Neves e Pau da Lima

PAU DA LIMA
O bairro do Pau da Lima está encravado entre a Avenida Luiz Viana Filho – Av.Paralela – e a BR-324, e é considerado o terceiro bairro mais populoso da cidade, com aproximadamente 120.000 habitantes. A história do bairro está associada à consolidação do Miolo Central de Salvador, não só em função da construção dos conjuntos habitacionais, mas, principalmente, pela expansão de ocupações informais, no que veio a se constituir o bairro do Beiru (atual Tancredo Neves) e os arredores de Pau da Lima. O bairro começou a formar-se em meados da década de 1950, com uma população inicialmente composta por trabalhadores autônomos, biscateiros, pedreiros, subempregados. Sua distância geográfica do centro comercial o estimula a buscar alternativas para sua própria vida, influenciando o perfil profissional do bairro, cada vez mais diversificado, para atender às demandas locais.

CABULA
O bairro do Cabula era formado por fazendas e chácaras e seus donos foram os primeiros a se instalarem. O Cabula foi doado a Antonio de Ataíde – Conde da Castanheira – pelo seu primo-irmão, Tomé de Souza. Antonio acabou arrendando esta área para o senhor Natal Cascão. Ele providenciou a construção da capela de Nossa Senhora do Resgate, conhecida,hoje, por Igreja da Assunção. Até o início da década de 1940, o referido local representava uma importante área verde de Salvador e era constituído por fazendas, cuja principal produção era a de laranjas.
Em 1950, uma praga destruiu os laranjais, sendo este um fato muito importante para a transformação do uso do solo no Cabula. Os anos 70 e os posteriores foram marcados por alterações estruturais: as antigas fazendas haviam sido vendidas e/ou divididas em lotes menores, transformando o Cabula.

O povoado começou a se formar ao redor, caminhos foram abertos fazendo ligações com outras localidades. O Exército, mais especificamente o 19º Batalhão, que teve a heroína Maria Quitéria prestando serviço militar nas dependências do quartel, também foi responsável pela ligação do Cabula com outras áreas, originando, assim, os bairros do Saboeiro e Barreiras.

Relação dos bairros que compõem o território cultural e que irão fazer parte do Incubadora Sonora:

BEIRU / TANCREDO NEVES
CABULA
CENTRO ADMINISTRATIVO
DOM AVELAR
ENGOMADEIRA
ESTRADA DAS BARREIRAS
JARDIM NOVA ESPERANÇA
MATA ESCURA
MUSSURUNGA
CANABRAVA
NOVA BRASÍLIA
PALESTINA
PAU DA LIMA
PERNAMBUÉS / SARAMANDAIA
PORTO SECO PIRAJÁ
SÃO GONÇALO / RETIRO
SÃO RAFAEL
SETE DE ABRIL
SUSSUARANA
VILA CANÁRIA
TROBOGY

TVC – Território Cultural Valéria e Cajazeiras

CAJAZEIRAS
O bairro de Cajazeiras começou a surgir em 1977 numa área de três antigas fazendas, quando o então governador Roberto Santos desapropriou as terras pertencentes às fazendas que, desde o século XIX, cultivavam laranja, café, mandioca e cana-de-açúcar. Havia muita área verde oriunda da Mata Atlântica que ainda circunda a região, situada entre a Estrada Velha do Aeroporto e a BR-324.
Cajazeiras é um bairro marcado pela existência de vários conjuntos habitacionais, sendo um dos maiores dessa natureza na América Latina. Bairro de grande atividade comercial de Salvador, possui uma vida própria de rica cultura e de carências. Sua pedra fundamental foi colocada pelo então governador Antônio Carlos Magalhães, porém as obras só foram iniciadas no governo João Durval. Em Cajazeiras vivem cerca de 600 mil pessoas, caracterizando-se como um dos maiores aglomerados urbanos do Brasil. Os setores que compõe o bairro são: Cajazeiras 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 10 e 11, Fazenda Grande 1, 2, 3 e 4, Águas Claras, Boca da Mata e Palestina.

VALÉRIA
O bairro de Valéria foi povoado no final da década de 60, principalmente por trabalhadores da construção civil e motoristas. Ele está localizado na região metropolitana de Salvador, às margens da BR-324. Situa-se próximo a Águas Claras e Palestina, tendo ao norte a Gerdau (antiga Usiba) e o Posto Fiscal. Várias empresas se localizam no bairro, como a Ortobom, Leão do Norte, Promodal, Gerdau, Renner, além de várias transportadoras e duas pedreiras. Na década de 20, o então governador Antônio Aragão prometeu construir uma estrada que ligaria Valéria à cidade de Feira de Santana, projeto que não veio a ser concretizado. Nessa época o bairro pertencia ao município de Lauro de Freitas, tendo sido anexado a Salvador em 25 de setembro de 1969, através de projeto da Câmara dos Deputados. A prefeitura de Lauro de Freitas, entretanto, recorreu da decisão, mas em março de 1973 o prefeito nomeado deste município entregou o bairro a Salvador. Há alguns anos iniciou-se um movimento pela emancipação do bairro por parte dos seus moradores que lutam por melhorias.

Relação dos bairros que compõem o território cultural e que irão fazer parte do Incubadora Sonora:

ÁGUA CLARAS
CAJAZEIRAS
CASTELO BRANCO
MARECHAL RONDON
PIRAJÁ
VALÉRIA

TPI – Território Cultural Barra / Pituba e Itapuã / Ipitanga

ITAPUà
Itapuã significa “pedra de ponta” ou “ponta de pedra” e não “pedra que ronca”, como muitos acreditam. (…) Seu batismo, de origem tupi, é formado pela aglutinação dos vocábulos indígenas ita e apuã [ts]. Historicamente, há notícias dele desde o século XVI, quando Gabriel Soares de Sousa registrou em Tratado Descritivo do Brasil, em 1587: “Esta ponta é a que na carta de mareas se chama Lençóis de Areia, por onde se conhece a entrada da Bahia”.
Os indígenas, primeiros habitantes do local, já o chamavam de Itapuã. Alguns relatos contam a chegada da fé católica numa terra dominada pelas práticas pagãs, como a lenda da aparição de São Francisco Argoin e a lenda da Pedra de São Tomé. Outros relatos falam que Itapuã era parte de uma enorme fazenda, cuja posse até hoje provoca discussões. O que se sabe com certeza é que as terras de Itapuã já foram chamadas por vários nomes, e eram arrendadas pela Irmandade de Nossa Senhora da Conceição até a década de 1950. Como é comum acontecer em Itapuã, a origem do bairro está relacionada às diferentes narrativas que se contradizem e se completam, e que algumas vezes fazem parte dos muitos mistérios associados ao lugar.

IPITANGA / ITINGA DE SALVADOR
Área localizada nos confins de Salvador, limitada pelos municípios de Lauro de Freitas e Simões Filho , Aeroporto Internacional Luís Eduardo Magalhães (Dois de Julho), Fazenda Grande, Mussurunga, Cajazeiras e São Cristóvão. Ipitanga reserva o manancial das Represas Ipitanga I, II e III, além da área arborizada de Ipitanga I, áreas de proteção ambientais Ipitanga I e II. Caracteriza-se por não ter muitas habitações em função da reserva ambiental, possuindo no seu entorno a CEASA, o Parque Rural Senhor do Bonfim e a localidade de Areia Branca. O Sistema de áreas verdes (SAVEA) afirmava que as áreas de Ipitanga I e II se transformariam em parques metropolitanos e posteriormente em parques distritais. Mas nada disso foi institucionalizado, dando lugar a várias invasões (CARVALHO e PONTES). Já o bairro de Itinga se caracteriza por sua insuficiência nos serviços públicos, habitações populares e por abrigar a sede do Esporte Clube Bahia.

Relação dos bairros que compõem o território cultural e que irão fazer parte do Incubadora Sonora:

AMARALINA
BAIRRO DA PAZ
BOCA DO RIO
CALABAR
CENTENÁRIO / CHAME-CHAME
IPITANGA / ITINGA DE SALVADOR
ITAPUÃ
NORDESTE DE AMARALINA
PARQUE DA CIDADE / SANTA CRUZ
SÃO CRISTÓVÃO
VALE DAS PEDRINHAS

TLC – Território Cultural Liberdade / São Caetano e Centro / Brotas

LIBERDADE (NÚCLEO CENTRAL)
Antiga Estrada das Boiadas, a Liberdade era passagem dos bois que vinham do sertão e eram comercializados na Feira do Capuame. Em 1823, por ali entrou o exército libertador e então, a Estrada das Boiadas passou a ser chamada Estrada da Liberdade. Considerado como o bairro mais populoso da cidade de Salvador, e representativo da cultura negra, o fez ser considerado pelo Ministério da Cultura como o território nacional da cultura afro-brasileira. O povoamento da Liberdade se deu logo depois da abolição da escravatura, com a ida de negros libertos e ex-escravos para o local.

A Liberdade não é só o bairro mais negro de Salvador e do Brasil. É especial. É único. É um país, onde a negritude é a maior referência, a espontaneidade é uma lei, e a manifestação artística é a principal linguagem de expressão.

SÃO CAETANO
Localizado entre a Fazenda Grande do Retiro e o Lobato, o bairro de São Caetano é um dos bairros mais populosos e carentes de Salvador e está subdividido em várias outras localidades como Capelinha, Boa Vista e Fonte da Bica. Com vista panorâmica para o bairro dos Alagados, o bairro chama a atenção pelo colorido típico de suas construções que costumam ser enfeitadas por flores e plantas diversas nas varandas, janelas e muros. Na Vila Tiradentes é tradição comemorar a Inconfidência Mineira com um bolo gigante e muita festa. Na Boa Vista estão localizados os diques do Ladrão e do Camurugipe; neste último, há muito tempo atrás, quando a região era composta de chácaras, os barcos podiam navegar e os seu peixes serviam como fonte de alimentação.

Relação dos bairros que compõem o território cultural e que irão fazer parte do Incubadora Sonora:

AVENIDA SETE / CARLOS GOMES
BAIRRO GUARANI/ BAIXA DO FISCAL
BAIXA DE QUINTAS / CIDADE NOVA
BAIXA DOS SAPATEIROS
BARBALHO / MACAÚBAS / LANAT / PELA PORCO
BARRIS
BOM JUÁ
CAIXA D’ÁGUA / IAPI / PAU MIÚDO / SANTA MÔNICA
CURUZU
FAZENDA GRANDE
GAMBOA
LAPINHA / SOLEDADE
LARGO DOIS DE JULHO
LIBERDADE (NÚCLEO CENTRAL)
PERO VAZ / QUEIMADINHO / SIEIRO
SÃO CAETANO
PELOURINHO
PIEDADE
PRAÇA CASTRO ALVES – SÉ
SANTO ANTÔNIO
TORORÓ

TCI – Território Cultural Cidade Baixa e Ilhas

BONFIM 


Situado numa das regiões mais privilegiadas da cidade, de onde se pode contemplar toda a beleza da Baía de Todos os Santos, o bairro do Bonfim é sinônimo de devoção. Abençoado pela mais querida igreja da Bahia, a Basílica do Senhor do Bomfim, inaugurada em 24 de junho de 1754, o Bonfim revela do alto da Colina Sagrada um contraste entre duas cidades distintas: a do seu entorno, constituída de casas datadas do pós guerra e a da Salvador moderna de “além mar” com seus espigões na Vitória e na Barra. Habitado por um povo apaixonado e orgulhoso, o bairro é o ponto culminante da mais rica celebração religiosa do país, a Lavagem do Bonfim, onde católicos e adeptos do candomblé comungam uma mesma fé. Localizado na Peníssula Itapagipana, entre os bairros da Boa Viagem, Massaranduba e Roma, o Bonfim é um paraíso de tranqüilidade e beleza e ,como diz o dito popular, “Quem foi à Bahia e não foi ao Bonfim, não foi à Bahia.

SUBÚRBIO 
O Subúrbio Ferroviário abrange 22 bairros onde moram 24,55% da população soteropolitana, ou seja, lá estão cerca de 600 mil habitantes. Até 1970 o local era formado por lugarejos, comunidades tradicionais de pescadores e veranistas que aproveitavam a pesca farta e as belezas das praias e enseadas banhadas pelas águas calmas da Baía de Todos os Santos. A linha do trem da antiga Leste (Viação Ferroviária Leste Brasileiro), inaugurada em 1860, fez com que as pessoas conhecessem melhor esta linda parte de Salvador. Atualmente, e após a ocupação de 1970 e 1980, o Subúrbio Ferroviário se vê ocupado em sua grande maioria por moradores das classes populares. Após a construção da Av. Afrânio Peixoto (Av. Suburbana) houve um aumento significativo das ocupações informais, que somando-se a total falta de atenção dos órgãos públicos competentes, fizeram com que este local da cidade fosse esquecido e deixado sua formação à espontaneidade das estratégias de sobrevivência do povo; Alagados, sem sombra de dúvidas, é reflexo deste abandono e criatividade do sobreviver. Assim, “A Suburbana”, como é conhecida, concentra boa parte das comunidades populares da cidade que convive com a falta de emprego, abandono, violência urbana, moradia precária e pobreza, paralelo à história antiga da formação de Salvador, com praias e locais belíssimos e com a rica cultura popular retratada, por exemplo, nos diversos grupos de capoeira, samba, música, terreiros e casas de candomblé, e na simbologia natural do Parque de São Bartolomeu.

Relação dos bairros que compõem o território cultural e que irão fazer parte do Incubadora Sonora:

ALTO DO CABRITO
BOA VIAGEM / MONTE SERRAT
BONFIM
CALÇADA / ROMA
COMÉRCIO
COUTOS
FEIRA DE SÃO JOAQUIM
ILHA DE MARÉ
ILHA DOS FRADES/ PARAMANA
LOBATO
MASSARANDUBA / ALAGADOS
PARIPE / SÃO TOMÉ DE PARIPE
PARQUE SÃO BARTOLOMEU
PERIPERI
PLATAFORMA
PRAIA GRANDE / ITACARANHA
RIBEIRA
URUGUAI

A relação dos bairros não é exaustiva, inclui a localidade principal e adjacências, desde que se enquadrem na condição de bairros populares, classificados por critérios socioeconômicos pela equipe técnica do projeto.

 

Referências:FUNDAÇÃO GREGÓRIO DE MATOS. Salvador Cultura Todo Dia: Áreas Culturais. Disponível em:

http://www.culturatododia.salvador.ba.gov.br/vivendo.php Acessso em: 03/02/2010.